É possível lucrar com as mudanças na economia e ao mesmo tempo proteger seus investimentos? Com certeza, mas você precisará de uma estratégia. Para atingir esse objetivo a alocação de ativos é uma excelente solução, pois funciona como um piloto automático para seus investimentos.

No artigo anterior, expliquei que a taxa Selic está em queda. E essa situação representa uma boa oportunidade de lucrar com a venda antecipada de certos títulos públicos. Por outro lado, você deve proteger seus investimentos de eventos desfavoráveis que podem ocorrer a nível nacional ou internacional.

Para explicar como uso essa estratégia, vou usar um exemplo real. Depois de olhar essa simulação, as vantagens da alocação de ativos ficarão muito mais claras.

Como montei a Simulação

O primeiro passo para colocar essa estratégia em prática é definir o quanto você quer estar exposto ao risco. Ou seja, definir a proporção da sua carteira que pode ser investida em ativos voláteis (ou de alto risco).

Trata-se de determinar quanto do seus investimentos estarão em ativos onde não há chance de perder dinheiro. E na outra parte da sua carteira estarão os ativos com maior potencial de valorização, mas que podem até mesmo dar prejuízo em algumas situações pontuais.

Suponhamos que no início eu tenha R$ 10.000,00 disponíveis para investir. Nesse exemplo, digamos que vou comprar R$ 7.000,00 em ativos de baixo risco e vou alocar R$ 3.000,00 em ativos que têm um retorno maior com algum risco.

Dessa maneira, defini que 70% da minha alocação será em baixo risco e 30% será em alto risco.

alocação de ativos

gráfico 1: alocação de ativos da carteira

Nesse exemplo, vamos usar o Tesouro Selic 2021 na parte de baixo risco e o Tesouro Prefixado 2023 na parte de alto risco. Para lembrar como cada um desses títulos se comporta leia o artigo de venda antecipada.

Alocação de Ativos na prática

Abaixo vamos acompanhar a valorização de cada parte dessa carteira mensalmente no período de agosto de 2016 até janeiro de 2017. Nesse exemplo utilizei a cotação de cada título no primeiro dia útil de cada mês. Você pode ver os detalhes desse exemplo aqui.

alocação de ativos

gráfico 2: percentual de valorização mensal de cada ativo

Perceba no gráfico acima que a parte de baixo risco (em cor verde) é melhor comportada e previsível.

Já a parte de alto risco (em cor abóbora) é bem variável (ou volátil). Perceba que ela ficou até mesmo negativa (apresentando prejuízo de 2,10% em dezembro de 2016). Porém, em outras ocasiões, teve rendimento bem superior (de 2 à 3 vezes) à parte de baixo risco.

Abaixo, segue outro gráfico com a valorização mensal de toda a carteira. Lembre-se que estamos considerando nessa conta a proporção inicial de cada parte da carteira (a alocação inicial de 70% em baixo risco e 30% em alto risco). Portanto, a parte de baixo risco tem um peso maior na composição do rendimento mensal.

alocação de ativos - valorização mensal total

gráfico 3: percentual de valorização da carteira como um todo

Perceba no gráfico acima que a carteira montada com a estratégia de alocação de ativos manteve sempre uma valorização positiva. Mesmo no mês de dezembro a carteira como um todo foi bem, apesar da queda acentuada na parte de alto risco (-2,10% no gráfico 2). Nesse caso, a composição maior da parte de baixo risco compensou a perda da parte de alto risco.

Colocando a carteira em Piloto Automático

Como expliquei em outro artigo, para ser bem sucedido nos seus investimentos, é essencial fazer aportes de tempos em tempos.

A estratégia de alocação de ativos é excelente nesse sentido, pois o próprio desempenho de cada parte da sua carteira indicará onde você deve investir. Essa noção ficará mais clara logo abaixo.

alocação de ativos - composição carteira

gráfico 4: composição mensal de cada parte na carteira

Perceba que o rendimento de cada parte da carteira varia ao longo dos meses (conforme foi visto no gráfico 2). Isso faz com que a carteira fique desequilibrada de tempos em tempos, modificando a composição inicial de 70% de baixo risco e 30% de alto.

Para ser mais claro, em setembro de 2016 a parte de baixo risco valorizou mais (1,21%) do que a parte de alto risco (0,42%). Esse fato fez com que a parte de baixo risco aumentasse (de 70,00% para 70,16%), e consequentemente, a outra parte encolhesse (de 30,00% para 29,84%).

Dessa maneira, suponhamos que eu quisesse fazer um aporte R$ 100,00 em setembro de 2016. A estratégia indica que esse aporte seja feito na parte que está abaixo da alocação definida previamente. Portanto, esses R$ 100,00 entrariam na parte de alto risco cuja composição caiu de 30,00% para 29,84%.

Seguindo essa orientação, você sempre comprará o ativo mais vantajoso naquele mês. Dessa maneira, o próprio método te indica onde vale mais a pena alocar seu dinheiro, pois está mais barato nesse período.

Perceba o piloto automático do qual falei. Basta seguir a estratégia: reavaliar mensalmente a proporção de cada parte na carteira e usar os aportes para reequilibrar. Isso nos livra da tarefa de acompanhar o mercado o tempo todo.

Vale a pena destacar que a estratégia também funciona quando os aportes periódicos não são feitos. Nesse caso, um rebalanceamento pode ser feito em períodos maiores, como por exemplo a cada 6 ou 12 meses. A ideia consiste em vender ativos da parte que cresceu mais, comprando na parte que cresceu menos. Dessa maneira, o objetivo de manter a proporção inicial dos dois ativos ainda é atingido mesmo sem aportes.

Vantagens da Alocação de Ativos

Perceba que a alocação de ativos é uma estratégia eficiente para melhorar o retorno dos seus investimentos. Ao mesmo, esse método diminui o risco por meio do tamanho da posição em cada tipo de ativo.

É uma estratégia simples de colocar em prática. Bastar seguir os passos abaixo:

  1. Definir o percentual que irá investir em cada tipo de ativo
  2. Monitorar o tamanho de cada tipo em um período estabelecido
  3. Utilizar os aportes periódicos para reequilibrar a carteira

Muitos investidores bem-sucedidos usam esse método, pois eles já perceberam que não há como descobrir qual o melhor momento de comprar um determinado ativo. E nesse método o mais importante é onde você investe e não quando você investe.

Ao seguir essa estratégia você não ficará acompanhando o mercado o tempo todo. Isso também gera economia, pois você terá menos custo com operações de compra e venda. Além de desenvolver qualidades importantes de um investidor bem-sucedido: disciplina, paciência e controle emocional.

Como comparação, a carteira do exemplo apresentou uma média de valorização de 1,22% ao mês contra uma média de 1,08% ao mês na parte de baixo risco (considerando somente tesouro Selic). Esses percentuais foram retirados da planilha disponível na página com os detalhes do exemplo.

Apresentei uma simulação bem simples (apenas com tesouro direto) para mostrar como funciona a estratégia. Mas tenha em mente que existe a possibilidade de obter retornos maiores. Isso é possível investindo em outros tipos de ativos mais rentáveis na parte de alto risco.

Se você percebeu todas as vantagens da alocação de ativos e quer saber mais a respeito, dê uma olhada no melhor curso que conheço a respeito desse método. Nele você encontrará os princípios por trás da estratégia de alocação de ativos com detalhes e exemplos mais completos (usando carteiras com ativos como ouro, moedas, fundos imobiliários e ações). O primeiro capítulo desse curso está disponível gratuitamente, dê uma conferida aqui.

Espero ter ajudado você com esses conhecimentos. Mas se ainda restou alguma dúvida não deixe de fazer seu comentário, pois terei prazer em ajudá-lo.

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