Após abrir conta em uma corretora, você deve ter recebido algumas mensagens com indicação de investimentos. Nesse artigo vou explicar como avaliar esses investimentos oferecidos pela corretora. Isso vai permitir que você tome as melhores decisões para o seu bolso.

Esses investimentos oferecidos geralmente têm alguma sigla (como por exemplo CDB, LCI ou LCA) que indica o tipo de investimento. Em geral, tratam-se de empréstimos para alguma empresa privada onde você oferece seu dinheiro e ganha uma grana por isso. Esses investimentos também são conhecidos como renda fixa privada.

Muitas dessas propagandas mostram apenas a rentabilidade, sem mostrar para qual instituição você está emprestando seu dinheiro. Veja abaixo um exemplo de investimento oferecido por e-mail.

investimentos oferecidos

Outras corretoras mostram para qual instituição você está emprestando seu dinheiro (no caso abaixo para o Banco Fibra). Veja abaixo o exemplo de uma propaganda que aparece ao entrar na plataforma de uma corretora.

investimentos oferecidos

Perceba que essas propagandas mostram prazo do investimento, valor mínimo, além de indicar o percentual do CDI que será pago. Uma delas ainda cita que o investimento é garantido pelo FGC.

Nos próximos tópicos vou explicar essas características e siglas de maneira que você saiba avaliar cada um desses investimentos oferecidos pelas corretoras.

O FGC nos Investimentos Oferecidos

O FGC (ou Fundo Garantidor de Crédito) funciona como um seguro que é capaz de devolver até o máximo de R$ 250.000,00 do valor investido (incluindo os juros a serem recebidos). Esse limite é aplicado por pessoa e por instituição (ou conglomerado financeiro).

Portanto, o FGC representa uma garantia para o investidor em algumas modalidades de renda fixa privada. Essa garantia deverá ser usada caso a instituição privada não seja capaz de pagar o valor que foi investido nela.

Casos passados mostram que na prática essa questão não é tão simples. O FGC pode demorar a pagar o reembolso (entre 1 e 3 meses) e o investidor deixa de ganhar rendimentos em outras aplicações durante esse período.

Além disso, é importante saber que o FCG possui apenas 2% do valor total que eles devem garantir. Portanto, no caso de uma crise de proporções maiores, não daria para cobrir todos os calotes.

Dessa maneira, não devemos investir confiando apenas nessa garantia. Portanto, é essencial conhecer a instituição na qual estamos investindo.

Sobre o banco que oferece o investimento

No caso do último exemplo que mostrei antes, o investimento é um CDB (uma espécie de empréstimo para o banco). Portanto, ao investir nele você estará emprestando seu dinheiro para o Banco Fibra por meio da sua corretora.

Dessa maneira, independente do FGC, você deve saber se esse banco está em condições de pagar as dívidas que ele emite.

Para avaliar bancos costumo usar o site Banco Data que fornece um excelente relatório com informações sobre a saúde financeira da empresa.

Recomendo que tenha atenção especial às seções rating, lucro líquido e no índice de basiléia. Um banco com boa saúde financeira costuma ter um Rating de qualidade alta (com avaliação A), lucros constantes e Índice Basiléia acima de 20%.

Para aprender mais, veja como avaliar os bancos emissores de investimentos em renda fixa privada.

Tipos de Investimentos Oferecidos

Nos exemplos mostrados, conhecemos o CDB (Certificado de Depósito Bancário) que como falei é um empréstimo a um banco. Nesse tipo de título privado incidem os mesmos impostos dos títulos públicos.

Dessa maneira, o CDB também está sujeito ao IOF e o Imposto de Renda que incidem apenas no lucro do seu investimento. A cobrança desses impostos é automática e quanto mais tempo você mantiver esse título privado menores serão os descontos sobre seus rendimentos.

Além do CDB, temos as LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e LCI (Letra de Credito Imobiliário). Esses títulos são emitidos pelos bancos para financiar empresas do agronegócio (LCA) ou do setor imobiliário (LCI).

Para incentivar os setores dessas Letras de Crédito, o governo tem concedido a isenção de Imposto de Renda (IR) e IOF nesses dois investimentos.

Outro investimento comum são as Letras de Câmbio (LC) que possuem as mesmas características que um CDB. A diferença é que a LC é emitida por uma financeira e não por um banco.

Perceba que todos esses investimentos que apresentei são cobertos pelo FGC.

A tabela abaixo resume as informações dos títulos privados que falei antes:

InvestimentoCoberto pelo FGCTem IOFTem IR
CDBSimSimSim
LCASimNãoNão
LCISimNãoNão
LCSimSimSim

Perceba que os investimentos isentos de imposto não necessariamente são melhores do que aqueles que possuem. O rendimento vai depender de outras condições como o prazo do investimento e do percentual de lucro prometido.

Prazos de investimento e valor mínimo

Geralmente, nos títulos privados é necessário que o seu dinheiro fique fora do seu alcance por um período estipulado. Nos exemplos apresentados anteriormente, um dos CDB’s requer 1 ano de prazo e no outro 3 anos.

Outro fator importante que foi apresentado no último exemplo é o valor mínimo que é exigido para entrada. Repare que há um mínimo exigido de R$ 5.000,00 para entrar no CDB.

Quando não há liquidez (você não pode transformar seu investimento em dinheiro com facilidade durante um longo tempo) e há um mínimo alto para a entrada no investimento, você deve procurar uma rentabilidade que compense tudo isso.

Rentabilidade nos títulos privados

Assim como nos títulos públicos, há títulos privados pré e pós-fixados. Veja o exemplo abaixo de dois CDB’s de uma mesma instituição financeira.

investimentos oferecidos - cdb pre e pos

Perceba que no exemplo do CDB pré-fixado temos uma taxa pré-definida que receberemos (no caso 13,15%) após um ano. Dessa maneira, ao fim do prazo do investimento ao investir R$ 10.000,00 receberemos exatamente o valor que está no simulador acima (o valor bruto de R$ 11.309).

Já no caso do CDB pós-fixado, só saberemos quanto receberemos no fim do período de investimento, pois ele rende um percentual do CDI (taxa DI divulgada no site da CETIP) que é um índice de referência muito próximo ao Selic. Dessa maneira, uma queda no CDI de 13,63% para 11,63% ao longo de um ano provocaria uma queda no seu lucro ao investir seu dinheiro nesse período (para você ter uma ideia seu rendimento bruto passaria de R$ 11.458 para R$ 11.244 nesse caso).

De uma maneira geral, é mais lucrativo investir em títulos pré-fixados quando temos um cenário de queda na taxa Selic (que vai determinar uma queda no CDI).

Outro fator importante quanto a rentabilidade dos títulos é a questão da rentabilidade em relação ao tamanho da instituição financeira que oferece o investimento.

Dessa maneira, não é difícil encontrar um CDB de banco médio pagando mais de 100% do CDI em um prazo de um ano. Por outro lado, nos bancos grandes a remuneração costuma ser de 80 a 85% do CDI para esse mesmo prazo.

Recomendações sobre esses Investimentos

Você não deve entrar em um investimento oferecido pela corretora apenas porque ele paga bem ou porque é protegido pelo FGC. É essencial conhecer a saúde financeira da instituição que está por trás do investimento para não correr riscos desnecessários.

Como esses títulos privados exigem um valor mínimo e um prazo para deixar seu dinheiro preso, você deve buscar algo que compense isso, correndo um risco aceitável.

Você deve ter em mente que o risco desses investimentos oferecidos pela corretora é sempre maior do que emprestar dinheiro ao governo.

Tenho indicado os títulos públicos pois eles são os mais seguros de todas as aplicações de renda fixa. O governo sempre pode emitir dinheiro para pagar suas dívidas conforme expliquei no artigo com as dúvidas mais comuns sobre o Tesouro Direto.

Devo alertar que os exemplos mostrados nesse artigo são apenas para facilitar o aprendizado e não representam uma recomendação de investimento.

Se tiver alguma dúvida ou sugestão deixe seu comentário abaixo para que eu possa te ajudar!

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